Salve, nação tricolor.
Aproveitando o período de Data FIFA, quero falar sobre os jogadores da base e como, na minha opinião, a troca de Hernán Crespo por Roger Machado, somada à chegada de reforços como Artur, deve atrasar, e muito, a utilização dos garotos nesta temporada.
A tese da hierarquia
Tudo indica que Roger Machado deve aplicar no time a chamada “tese da hierarquia”, algo bastante comum no São Paulo atual. A opção por improvisar Luciano na meia, como já fizeram Zubeldía e Carpini, mesmo tendo jogadores da posição no elenco, como Cauly e Pedro Ferreira, deixa isso claro.
Ou seja: a prioridade não é técnica e tática, é a hierarquia.
Quem perde espaço
Vou analisar alguns nomes que estavam nos planos de Crespo e que, ao que tudo indica, devem perder espaço.
Pedro Ferreira
O meia participou de quatro jogos, com apenas 45 minutos em campo, mas já soma uma assistência. Com Roger Machado a ideia de usar Luciano na meia, Pedro passa a ser, no mínimo, a quarta opção, atrás de Luciano, Lucas e Cauly. Um jogador de muito talento que dificilmente terá minutos.
Nicolas
O lateral participou de cinco jogos, com 196 minutos e média de 39 minutos por partida. Com a preferência de Roger Machado por Wendell, Nicolas passa a ser a terceira opção. Deve perder espaço.
Lucca
O ponta começou a ganhar destaque ainda em 2025, com Zubeldía, e em 2026 já soma seis jogos e 255 minutos. Mas com a chegada de Artur, que vem para ser titular, a tendência é clara: menos espaço para o Lucca. E, para justificar essa contratação, o time terá que ser “Artur + 10”.
Tetê
Chegou a ser ventilado como possível titular, mas, na prática, também perde espaço. Com Artur como titular, e opções como Ferreirinha e Lucca, dificilmente terá oportunidades.
Ryan Francisco e Paulinho
Para muitos, a grande joia da base. Ryan poderia ter explodido em 2025, mas a lesão adiou esse processo. Em 2026, encontra um cenário mais complicado. Calleri vive grande fase, e o setor ainda conta com André Silva e Tapia. Dentro do modelo de Roger Machado, com pontas, Ryan hoje seria, no máximo, a quarta opção. E Paulinho aparece ainda mais atrás.
Osório e Isac
Destaques do sub-20, também perdem espaço. Com o fim da ideia de linha de três zagueiros, sistema que não agrada a Roger Machado, e a renovação com Sabino, o setor já conta com Arboleda, Alan Franco, Sabino, Dória e Tolói. As chances dos garotos, se existirem, hoje, são mínimas.
Negrucci, Djhordney e Hugo
A mudança de modelo de jogo também impacta os volantes. Sem a trinca de volantes que provavelmente será desmontada por Roger, e com Pablo Maia que deve voltar ao time, os jovens voltam para o fim da fila. Hoje estão atrás de Marcos Antônio, Danielzinho, Bobadilla e Maia. E, nesse cenário, Mateus Ferreira nem entra na discussão.
O resultado do "planejamento":
Pedro Ferreira perde espaço para Luciano.
Nicolas para Wendell.
Lucca e Tetê para Artur.
Ryan Francisco para o modelo de jogo.
Osório e Isac para a mudança de sistema.
Negrucci, Djhordney e Hugo para a nova configuração do meio.
A mudança na comissão técnica encontra um problema, o planejamento de Crespo foi montado para jogar com:
- linha de três zagueiros
- três volantes
- dupla de ataque
Tudo isso muda com Roger Machado. E, dentro da lógica da hierarquia, quem deve perder espaço são os garotos da base.
O São Paulo precisa de renovação. A base pode, e deveria, ser parte da solução, tanto técnica quanto financeira. Mas a gestão atual, sob comando de Rui Costa e Rafinha, parece ter outro foco. A prioridade é ganhar uma taça.
Não importa se isso significa atrasar o desenvolvimento da base ou comprometer o futuro do clube. Se a gestão anterior conquistou Paulista, Copa do Brasil e Supercopa, eles também querem a sua taça, ainda que seja a Sul-Americana, afinal não pensam no clube.
Pensam neles.
Fiquem bem,
Guine
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