O problema do São Paulo não é revelar jogadores. O problema é não saber utilizá-los antes de vendê-los.
Salve, nação tricolor.
Sempre que se fala em Cotia, aparece alguém dizendo que a torcida acha que todo garoto da base será craque.
Não.
A realidade é exatamente o contrário.
A maioria dos atletas revelados em Cotia terá uma carreira comum. E isso não diminui em nada a importância da base para o São Paulo.
Peguemos o caso de Osório.
O jovem zagueiro recebeu algumas oportunidades no profissional, mostrou personalidade e já despertou interesse da Europa. Segundo informações de mercado, a Udinese ofereceu cerca de 10 milhões de euros pelo jogador, proposta recusada pelo clube.
Independentemente de o negócio acontecer ou não, o episódio mostra um ponto importante: jogador se valoriza jogando.
Em 2025, o São Paulo negociou Willian Gomes, Lucas Ferreira, Matheus Alves, Henrique Carmo, Ângelo e Kauê, arrecadando aproximadamente R$ 220 milhões, sem contar bônus e futuras participações.
É muito dinheiro.
Representa cerca de 20% da atual dívida do clube.
Ou seja, a recuperação financeira do São Paulo passa, obrigatoriamente, por Cotia.
Mas existe um problema.
Willian Gomes saiu sem espaço porque não fazia parte dos planos da comissão técnica.
Lucas Ferreira, Matheus Alves e Henrique Carmo só receberam oportunidades quando os titulares estavam lesionados.
Ângelo e Kauê sequer tiveram sequência no profissional.
Imagine quanto esses jogadores poderiam valer se tivessem disputado 40 ou 50 partidas pelo time principal.
O ganho seria técnico e financeiro.
É justamente esse modelo que o São Paulo parece insistir em ignorar.
Osório só ganhou oportunidades porque o elenco sofreu com desfalques.
Se Sabino, Ferraresi, Tolói, Domingos Duarte ou Dória estivessem disponíveis, alguém acredita que ele jogaria?
O mesmo raciocínio vale para outras posições.
O clube contratou Newton mesmo tendo Marcos Antônio, Bobadilla, Pablo Maia, Danielzinho e jovens como Hugo e Djhordney.
Pedro Ferreira, único meia de origem do elenco, foi deslocado para a fila dos volantes, enquanto Luciano e André Silva seguem sendo improvisados na criação.
Ryan Francisco aguarda oportunidades.
Gustavo Santana também.
Maik e Igor Felisberto perderam espaço com a chegada de mais um lateral-direito.
Na esquerda, a possível saída de Enzo Díaz poderia abrir caminho para Nícolas, mas a diretoria já procura outro reforço no mercado.
Perceba que o problema não está em contratar.
Está em contratar antes mesmo de descobrir se a solução já não está dentro de casa.
Enquanto isso, o clube mantém um elenco caro, envelhecido e pouco competitivo.
Renova contratos, aumenta salários e continua distante da disputa pelos principais títulos.
Ao mesmo tempo, atrasa salários, aumenta a dívida e vende jovens sem que eles tenham alcançado todo o seu potencial de mercado.
É uma estratégia que gera pouco retorno esportivo e financeiro.
Cotia nunca foi apenas um centro de formação.
Ela é, hoje, o principal ativo do São Paulo.
Sem um projeto que integre definitivamente a base ao profissional, o clube continuará repetindo o mesmo ciclo: revela, vende cedo, arrecada menos do que poderia e volta ao mercado para contratar jogadores mais caros e, muitas vezes, sem oferecer retorno superior.
Talvez esteja na hora de o São Paulo parar de tratar Cotia como um plano B.
Porque, olhando para a situação financeira do clube, ela já deveria ser o plano A.
Fiquem bem.
Guine

Postar um comentário