
Hoje quero falar sobre algo que se tornou parte da rotina do noticiário do São Paulo: dívidas, salários atrasados e promessas que não são cumpridas.
Uma matéria do GE informa que o presidente Harry Massis tinha como objetivo encerrar a prática de manter atrasados os direitos de imagem dos jogadores, mas não conseguiu. A quitação, agora, depende de um acordo com a Ticketmaster.
No início de julho, a diretoria se reuniu com os jogadores e prometeu quitar a dívida com o elenco em até um mês.
Ou seja: até o início de agosto.
Não aconteceu.
O que não se sabia naquele momento é que o planejamento da diretoria dependia da aprovação do contrato com a Ticketmaster, que prevê um recebimento de até R$ 140 milhões.
O problema é que o acordo ainda nem havia sido discutido pelo Conselho Deliberativo.
Resultado?
A promessa não foi cumprida e, dois meses depois, o São Paulo ainda possui atrasos de pelo menos dois vencimentos nos direitos de imagem do elenco.
Agora, a diretoria promete quitar os valores até o fim de setembro e já comunicou esse prazo às torcidas organizadas.
Mas existe novamente uma condição:
a aprovação do contrato com a Ticketmaster pelo Conselho Deliberativo.
E é aqui que começa a minha pergunta:
por que o São Paulo continua fazendo planos financeiros contando com dinheiro que ainda não entrou?
Enquanto isso, o clube foi ao mercado.
Contratou Victor Sá, Aurélio Buta, Domingos Duarte e Iago Borduchi.
Ou seja, enquanto existem jogadores esperando receber aquilo que está previsto em contrato, o clube continua aumentando sua folha salarial.
E não parou por aí.
O São Paulo também renovou os contratos de Luciano e Calleri por valores elevados e por períodos longos.
Nada contra os jogadores.
A discussão é outra.
A discussão é prioridade.
Não seria mais importante pagar em dia o elenco que já está no clube antes de contratar novos jogadores?
Não seria mais prudente deixar grandes renovações para a próxima gestão?
Não seria mais coerente utilizar recursos extraordinários para reduzir uma dívida que possui juros elevados, em vez de usá-los apenas como paliativo para um problema que pode voltar a aparecer daqui a dois meses?
Porque é isso que parece estar acontecendo.
Apaga-se o incêndio.
O fogo diminui.
E depois ele volta.
O São Paulo escolheu esse caminho
É muito cômodo colocar tudo na conta da crise financeira.
É verdade que o São Paulo enfrentou, e ainda enfrenta, dificuldades financeiras.
Mas chega um momento em que precisamos parar de tratar tudo como consequência do acaso.
Existem escolhas.
O clube escolheu manter uma folha salarial elevada.
Escolheu contratar mesmo convivendo com atrasos.
Escolheu renovar contratos longos e caros.
Escolheu como utilizar, ou não utilizar, os jogadores de Cotia.
Escolheu quando contratar.
Escolheu quem contratar.
Escolheu quando renovar.
E escolheu também como administrar seus recursos.
Portanto, o São Paulo não é simplesmente vítima dessa situação.
Está pagando o preço das próprias escolhas.
E algumas delas são difíceis de entender.
O clube possui uma das melhores categorias de base do país, mas continua contratando jogadores para posições nas quais existem jovens que poderiam, pelo menos, receber oportunidades.
Mantém uma folha salarial pesada.
Convive com dívidas caras.
Atrasa direitos de imagem.
Promete pagar.
Não paga.
E depois precisa encontrar uma nova fonte de receita para resolver o problema.
Enquanto isso, a temporada vai embora.
E o futebol apresentado em campo está muito abaixo do que o torcedor espera.
E ainda temos que lidar com as decisões do nosso particular trio de gestores, Rafinha, Rui Costa e Massis, que conseguiu contribuir para transformar uma temporada que poderia ser tranquila em um verdadeiro pesadelo, incluindo três mudanças de treinador que, até aqui, parecem ter conseguido uma façanha: cada mudança deixou o time pior.
No fim das contas, a pergunta é simples:
quando o São Paulo vai começar a tratar o problema financeiro como um problema de gestão, e não apenas como uma falta momentânea de dinheiro?
Porque dinheiro pode entrar.
Ticketmaster pode pagar.
Um jogador pode ser vendido.
Um patrocínio pode aparecer.
Mas, se a gestão continuar tomando decisões que aumentam despesas, alongam compromissos e deixam a dívida para depois, estaremos apenas adiando o próximo problema.
O São Paulo precisa parar de administrar o presente sacrificando o futuro.
Precisa pagar quem já está no clube antes de contratar quem está chegando.
Precisa usar Cotia.
Precisa reduzir custos.
Precisa planejar.
E, principalmente, precisa entender que prometer pagar e não pagar também é uma decisão de gestão.
O problema não é apenas quanto dinheiro o São Paulo tem.
É como decide gastar o dinheiro que tem.
Salvem o Tricolor Paulista.
Guine.
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