Salve, salve, nação tricolor.
Hoje é dia de falar sobre mais um vexame do São Paulo.
Na noite de ontem, o Tricolor foi derrotado pela Chapecoense, lanterna do Campeonato Brasileiro e virtualmente rebaixada.
A atuação do São Paulo foi abaixo da expectativa até do torcedor mais pessimista.
Para o são-paulino, foi uma mistura de vergonha e nojo diante do que se viu em campo.
E, para não me estender muito sobre o jogo, vou dizer apenas que a derrota, por 1 x 0, foi justa.
Mas o objetivo deste texto não é falar da partida.
É falar da coletiva pós-jogo de Dorival Júnior.
E parece que, finalmente, a ficha caiu.
O técnico aderiu ao discurso óbvio que, para Massis, Rafinha e até Lucas Moura, aparentemente é um discurso derrotista.
Dorival afirmou que o que vimos foi vergonhoso, inadmissível e inaceitável.
Disse que o time havia se preparado para uma decisão, para um confronto decisivo e importante, mas que, infelizmente, mais uma vez, o São Paulo saiu de campo em uma situação muito delicada.
E então veio a parte que mais me chamou atenção:
“Nós não temos mais palavras. Está na hora de colocarmos ação e trabalho. Ainda mais trabalho do que vem acontecendo, porque nós estamos nos dedicando muito, mas não está sendo suficiente.”
E completou:
“Nós temos que buscar algo diferente para tentar mudar todo esse contexto. Porque não pode continuar da forma como está.”
Finalmente.
Dorival também lembrou que ele é o terceiro técnico a passar pelo São Paulo e reconheceu que aquilo que está sendo desenvolvido não é suficiente.
Disse que a situação é preocupante e que:
“O buraco é muito mais embaixo do que nós imaginamos.”
E Dorival também mandou um recado importante.
A culpa não é apenas da comissão técnica.
A mudança também depende dos jogadores, que precisam entender o que o Campeonato Brasileiro significa neste momento.
E isso é importante.
Porque, pela primeira vez em algum tempo, parece que alguém dentro do clube está olhando para a situação como Hernán Crespo olhava e como ela realmente é.
A derrota para a Chapecoense marcou o 10º jogo consecutivo sem vitória do São Paulo no Campeonato Brasileiro. O Tricolor ocupa a 13ª colocação, com 27 pontos em 23 jogos, apenas três pontos acima da zona de rebaixamento.
Não é pessimismo.
Não é discurso derrotista.
É a realidade.
E talvez seja justamente por isso que eu tenha gostado da coletiva de Dorival.
Ele reconheceu que o trabalho não está sendo suficiente.
Reconheceu que a situação é preocupante.
Reconheceu que o problema é maior do que parecia.
Reconheceu que será necessário fazer algo diferente.
E, principalmente, lembrou que a mudança também depende dos jogadores.
Agora vem a parte mais interessante.
Dorival tem ferramentas e tem poder para mudar.
Se o problema está detectado, algumas peças precisam ser mexidas.
O São Paulo tem 15 jogos pela frente e precisa conquistar 18 pontos para chegar aos 45.
Não precisa jogar um futebol maravilhoso.
Não precisa ser campeão.
Não precisa disputar título.
Precisa simplesmente fazer o básico para terminar a temporada de forma minimamente digna e permanecer na Série A.
Talvez Dorival finalmente tenha entendido aquilo que Hernán Crespo já havia entendido há algum tempo.
A prioridade é sobreviver.
E, sinceramente?
Se aderir ao chamado “discurso derrotista” significa reconhecer a realidade, ainda bem que Dorival aderiu.
Agora falta transformar o discurso em ação.
Porque falar que o buraco é mais embaixo é fácil.
Difícil é tirar o São Paulo de dentro dele.
Fiquem bem.
Guine.

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