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Vale a pena renovar com Calleri?



Os números do camisa 9 mostram um detalhe que pouca gente está discutindo: talvez o problema nunca tenha sido o centroavante.


Salve, nação tricolor.

Depois do empate contra o Flamengo, marcado pelo gol de Jonathan Calleri, surgiram informações de que as negociações para renovar seu contrato voltaram a avançar. O atacante reduziu a pedida, o São Paulo melhorou a oferta e, ao que tudo indica, a permanência do argentino voltou a ser uma possibilidade concreta.

Mas isso levanta uma pergunta inevitável.

Vale a pena renovar com Calleri?

Antes de responder, vale olhar para os números.

Na primeira passagem pelo São Paulo, em 2016, Calleri disputou 31 partidas, marcou 16 gols e distribuiu três assistências. Foram 19 participações diretas em gols, com média superior a meio gol por jogo.

Era um centroavante extremamente decisivo.

No fim de 2021, voltou ao clube e, em apenas 22 jogos, marcou cinco gols.

Em 2022 viveu sua melhor temporada desde o retorno. Foram 27 gols, seis assistências e 33 participações diretas em gols.

Parecia que o São Paulo havia reencontrado seu camisa 9.

Nas temporadas de 2023 e 2024, porém, o rendimento caiu. Ainda assim, somando os dois anos, Calleri marcou 28 gols e participou diretamente de 41 tentos.

Números respeitáveis.

Em 2025, uma grave lesão no joelho interrompeu sua temporada. Foram apenas três gols e quatro assistências.

Já em 2026, a história parece dividida em duas partes.

Até o dia 4 de abril, Calleri já havia marcado 11 gols. A sensação era de que o atacante havia reencontrado o futebol de 2016 e 2022.

Depois disso, veio um jejum de 114 dias sem balançar as redes.

A contestação reapareceu.

Mas será que ela é justa?

Observando as temporadas em que Calleri mais brilhou, existe um padrão difícil de ignorar.

Em 2016, Paulo Henrique Ganso era o responsável por abastecer o ataque.

Em 2022, Rogério Ceni montou uma equipe que explorava constantemente as características do centroavante.

No início de 2026, com Hernán Crespo e, posteriormente, nos primeiros jogos sob Roger Machado, o cenário voltou a se repetir.

O time atuava com uma estrutura que liberava Marcos Antônio para criar, utilizava uma trinca de volantes para dar sustentação e tinha Luciano jogando próximo de Calleri.

Foi justamente nesse período que a torcida voltou a cantar:

"Toca no Calleri que é gol."

Quando esse modelo desapareceu, o rendimento do camisa 9 também caiu.

Não parece coincidência.

Nas temporadas de 2023 e 2024, Luciano passou a atuar como armador. O mesmo voltou a acontecer quando Roger Machado modificou a estrutura da equipe e também nos primeiros jogos sob Dorival Júnior.

O problema parece evidente.

Luciano deixa de ser um segundo atacante, o São Paulo continua sem um meia de criação de origem e Calleri passa a atuar isolado entre os zagueiros adversários.

O time perde presença ofensiva.

Luciano rende menos.

E Calleri recebe cada vez menos oportunidades.

Por isso, talvez estejamos fazendo a pergunta errada.

Em vez de discutir apenas se vale a pena renovar com Jonathan Calleri, talvez a questão seja outra.

O São Paulo pretende montar um time capaz de explorar aquilo que o argentino faz de melhor?

Porque, quando isso aconteceu, Calleri respondeu com gols.

Quando deixou de acontecer, o rendimento caiu.

Talvez o problema nunca tenha sido o camisa 9.

Talvez tenha sido quem desenhou o restante do time.

Fiquem bem.

Guine

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