O empate no Maracanã foi importante, mas não muda a realidade do São Paulo: a briga continua sendo pela permanência na Série A. E, cada vez mais, Hernán Crespo parece ter sido o único a enxergar isso.
Salve, nação tricolor.
Começou o returno do Campeonato Brasileiro e, ao contrário do que previam muitos "profetas do apocalipse", o São Paulo não foi atropelado pelo Flamengo no Maracanã.
Não houve goleada.
Não houve vexame.
Pelo contrário.
O empate conquistado por Dorival Júnior, somado à vitória obtida por Hernán Crespo no primeiro turno, representa quatro pontos conquistados contra o clube mais rico, mais organizado e tecnicamente mais qualificado do futebol brasileiro.
É um resultado que merece reconhecimento.
Mas não deve iludir ninguém.
O Flamengo abriu o placar logo após uma grande defesa de Rafael. O goleiro evitou o gol em uma finalização difícil, mandou para escanteio e, na cobrança seguinte, Léo Pereira colocou os donos da casa em vantagem.
Treze minutos depois veio a resposta.
Com Marcos Antônio bem marcado, Danielzinho participando pouco da construção e Luciano assumindo novamente a responsabilidade de organizar o jogo, a solução apareceu onde poucos esperavam.
O jovem Osório avançou pela esquerda e encontrou Calleri na área.
Depois de doze partidas e 114 dias sem marcar, o argentino voltou a balançar as redes.
Foi um gol importante.
Mas também expôs um problema que Dorival precisará resolver rapidamente.
Hoje, Marcos Antônio atuou muito preso pelo lado esquerdo, enquanto Luciano tenta desempenhar uma função de criação que nunca foi sua principal característica.
O resultado é um meio-campo pouco criativo, um ataque dependente de jogadas isoladas e um Calleri frequentemente abandonado entre os zagueiros adversários.
Nem sempre um defensor aparecerá para construir a principal chance do jogo.
Esse modelo precisa evoluir.
Com o empate, o São Paulo chegou aos 26 pontos e ocupa a 12ª colocação.
É uma posição desconfortável, mas absolutamente compatível com o momento do clube e também com o histórico recente de Dorival Júnior em competições de pontos corridos.
Em 2023, por exemplo, o treinador conquistou a histórica Copa do Brasil, mas terminou o Campeonato Brasileiro apenas na 11ª posição, com 53 pontos.
Se o São Paulo repetir essa pontuação em 2026, muitos torcedores provavelmente comemorarão como se fosse um título.
E isso diz muito sobre o momento vivido pelo clube.
Dorival herdou praticamente o mesmo cenário encontrado por Hernán Crespo.
Um elenco tecnicamente limitado.
Salários atrasados.
Lesões frequentes.
Pressão constante.
Um grupo experiente que precisa voltar a entregar mais dentro de campo.
Não será uma missão simples.
Ainda assim, acredito que o treinador tenha condições de conduzir o São Paulo a uma temporada digna.
Mas existe uma conclusão que parece inevitável.
O mantra repetido por Hernán Crespo durante meses, de que a prioridade era alcançar os 45 pontos antes de pensar em qualquer outro objetivo; foi tratado por muitos como um discurso derrotista.
Custou críticas.
Gerou desgaste.
Talvez até tenha acelerado sua saída.
Hoje, porém, o Campeonato Brasileiro mostra exatamente aquilo que o argentino dizia desde o início.
Enquanto alguns dirigentes falavam em títulos, Crespo entendia a realidade do elenco.
O campo, rodada após rodada, parece confirmar quem realmente sabia do que estava falando.
A luta nunca foi pela taça.
A luta continua sendo pelos 45 pontos.
Fiquem bem.
Guine
Salvem o Tricolor Paulista.

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