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Rafinha, o Arquiteto


Salve, nação tricolor. 

A Copa do Mundo acabou, o futebol brasileiro voltou e, com ele, o São Paulo.

Ontem, o Tricolor perdeu por 2 a 1 para o Athletico-PR em um jogo no qual era mandante, mas precisou atuar em Bragança Paulista porque o Morumbi segue alugado para shows.

No intervalo, a sensação era positiva. O São Paulo havia feito um primeiro tempo organizado, controlando boa parte das ações e dando a impressão de que poderia voltar com tranquilidade para a etapa final.

Mas o futebol tem dessas.

Cinco minutos de segundo tempo bastaram para o Athletico-PR virar a partida e confirmar a vitória. Foi então que surgiu a dúvida que talvez resuma o momento do clube: o São Paulo realmente jogou bem ou apenas enfrentou um adversário muito mal na primeira etapa?

A derrota tem peso.

Dependendo dos resultados de Corinthians x Remo e de um eventual empate entre Vitória e Botafogo, o São Paulo pode terminar o primeiro turno apenas na 12ª colocação. No cenário mais otimista, fecha a rodada em 10º.

O contraste é enorme.

O time começou o campeonato conquistando 10 pontos em 4 jogos, dividindo a liderança com o Palmeiras e empolgando a torcida. Desde então, precisou de 15 partidas para somar apenas mais 15 pontos e já aparece 19 pontos atrás do líder.

É evidente que o São Paulo dificilmente brigaria pelo título brasileiro. Mesmo no auge da boa fase, Hernán Crespo repetia que a meta deveria ser alcançar os 45 pontos o mais rápido possível.

E é aqui que entra o personagem deste texto: Rafinha.

Quando assumiu como dirigente, sua primeira entrevista marcou o início da fritura pública do treinador. O ex-lateral afirmou que no São Paulo não cabia discurso derrotista e que aquele grupo brigaria por títulos.

O resultado todos conhecem.

Vieram duas demissões de técnicos, atrasos salariais, empréstimos de jogadores, reforços contratados às pressas, garotos da base escanteados, demissão de diretor de futebol e uma temporada que, embora tivesse limitações claras de elenco, tinha tudo para ser ao menos tranquila.

Transformou-se em um pesadelo.

Hoje é fácil apontar Casares, Belmonte e Rui Costa como responsáveis pela situação do clube, e os fatos sustentam essa afirmação. Mas é preciso ampliar a discussão.

Massis e, principalmente, Rafinha também têm responsabilidade direta, seja por ações, seja por omissões.

O São Paulo ainda tem 19 jogos no Campeonato Brasileiro para garantir a permanência na Série A e uma Copa Sul-Americana na qual tentará buscar um milagre esportivo.

Enquanto isso, o legado dessa gestão vai sendo construído dentro e fora de campo: demissões de treinadores em momentos questionáveis, empréstimos de jogadores sem retorno técnico evidente, contratações difíceis de explicar e um processo contínuo de sucateamento de Cotia.

Resta torcer para que Dorival Júnior consiga montar um time minimamente competitivo. Até aqui, o trabalho não mostrou evolução consistente, e o treinador terá de trocar os pneus com o carro em movimento; sobretudo porque a parada para a Copa do Mundo não parece ter sido aproveitada da forma que a torcida esperava.

No fim, o que deveria ser apenas uma temporada de limitações virou uma temporada de medo.

E isso talvez seja o maior retrato do legado deixado por quem prometeu que o São Paulo brigaria por títulos.

Salvem o Tricolor Paulista.

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