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O São Paulo voltou. Alguns problemas voltaram junto.

 


A Copa do Mundo termina, o futebol brasileiro recomeça e, pelo noticiário, parece que o São Paulo passou um mês inteiro tentando provar que planejamento continua sendo um conceito opcional.


Salve Nação Tricolor.

A Copa do Mundo está chegando ao fim. Para muitos torcedores, é o momento de voltar a acompanhar o clube do coração. Para o são-paulino, porém, basta abrir o noticiário para perceber que pouca coisa mudou.

O São Paulo inicia o segundo semestre cercado por dúvidas, contradições e decisões que parecem desafiar qualquer lógica esportiva.

Comecemos pela defesa.

Há poucas semanas, Arboleda parecia ter encerrado sua história no clube. O discurso era de fim de ciclo. Agora, a tendência é que seja reintegrado ao elenco e reassuma um lugar entre os titulares.

Enquanto isso, Alan Franco, que conquistou espaço e foi um dos jogadores mais regulares da equipe, vai deixar o São Paulo. Os relatos de salários atrasados e a falta de perspectiva de continuidade com Dorival Júnior definiram sua saída do clube.

Se a situação já parecia curiosa, o mercado conseguiu surpreender ainda mais.

Domingos Duarte, que teria ignorado as investidas do São Paulo durante as negocigações, agora volta a ser opção depois de não encontrar alternativas mais interessantes no mercado.

No Morumbi, aparentemente, "não" também pode significar "talvez", dependendo de como a janela termina.

No meio-campo, a impressão é de que o futebol brasileiro continua insistindo em resolver a falta de criatividade eliminando os jogadores criativos.

Pedro Ferreira chegou ao profissional como um meia de construção, um atleta capaz de organizar o jogo entre as linhas. No entanto, tudo indica que Dorival pretende utilizá-lo como volante, enquanto Luciano e André Silva aparecem como alternativas para exercer a função de meia.

É difícil não enxergar uma inversão de papéis.

O Brasil reclama há anos da escassez de armadores. Quando um surge, a solução encontrada costuma ser transformá-lo em outra coisa.

Outro nome próximo do clube é Newton, volante que segue em negociação e pode reforçar o elenco para o restante da temporada.

Pelas pontas, Victor Sá também deve chegar. Segundo as informações divulgadas, o atacante receberá cerca de R$ 1 milhão por mês a partir de janeiro para disputar posição com Ferreirinha.

Enquanto isso, Lucca desperta interesse do Porto.

O roteiro lembra imediatamente a negociação de Willian Gomes: um jovem que perde espaço antes mesmo de ter uma sequência suficiente para mostrar todo o seu potencial e se destaca na Europa, no mesmo clube aliás... 

Na lateral direita, outro capítulo da busca incessante por soluções.

Mesmo contando com Lucas Ramon, Igor Felisberto, Maik e tentando negociar a saída de Cédric, o São Paulo ainda trabalha para contratar Aurélio Buta.

Talvez o problema nunca seja quantidade.

Talvez seja planejamento.

Entre tantas notícias, ao menos uma parece unir boa parte da torcida: a saída de Tápia.

Se confirmada, dificilmente encontrará resistência.

No fim das contas, as mudanças mais relevantes para o time titular parecem resumir-se ao retorno de Arboleda e à possibilidade de André Silva atuar como meia sempre que Luciano não estiver disponível.

Não exatamente o cenário que desperta entusiasmo para quem esperava uma reformulação.

Por isso, minha expectativa para o restante de 2026 é bastante modesta.

Agradeço a Hernán Crespo pelo excelente início de Campeonato Brasileiro, torço para que, apesar das decisões de Massis, Rafinha e Dorival, o São Paulo conquiste os 21 pontos que ainda faltam para garantir matematicamente sua permanência na Série A.

Depois disso...

Tudo o que vier será lucro.

Porque, no São Paulo de hoje, sobreviver já parece um projeto ambicioso.

Até a próxima janela de improvisos.

Salvem o Tricolor Paulista.

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