Salve, nação tricolor!
Essa parada para a Copa do Mundo geralmente deixa o torcedor com saudade do clube. Afinal, por mais que a pessoa goste da Seleção, o amor verdadeiro é mesmo pelo clube do coração. Mas o torcedor do São Paulo deve estar comemorando essa folga, afinal ele merece e precisa.
O ano do São Paulo já acabou. Graças às ações de Rafinha e Rui Costa, o Tricolor deixou de brigar pelo Brasileirão. Hoje está em um grupo de times que brigam da 5ª à 16ª posição e já foi eliminado da Copa do Brasil. Existe ainda a Sul-Americana, é verdade, mas, assim como no Brasileirão, o São Paulo está na mesma condição de pelo menos outros dez clubes: não é favorito, apenas segue na disputa.
Muitos torcedores enxergam essa parada para a Copa do Mundo como uma bala de prata que vai resolver todos os nossos problemas. Afinal, Dorival terá tempo para treinar o time, os jogadores lesionados vão voltar, o clube vai trazer reforços e o elenco poderá descansar. Ou seja, para alguns, todos os problemas estão resolvidos.
O problema é que a parada para a Copa do Mundo é para todos. Todo mundo vai recuperar lesionados, treinar, descansar e contratar reforços. A diferença é que muitos clubes têm uma situação financeira melhor que a nossa.
Sobre reforços, o clube, sem condições reais de disputar os principais nomes do mercado, ainda não anunciou ninguém. As informações são de que deve contratar o zagueiro Domingos Duarte e o ponta Victor Sá, dois jogadores que não mudam o patamar do elenco. Por isso, o melhor reforço desta janela tende a ser a recuperação dos atletas lesionados e o trabalho de Dorival que, se abrir mão do sistema baseado em pontas, já estará resolvendo boa parte dos problemas da equipe.
Creio que essas contratações não resolvem os verdadeiros problemas do elenco. O primeiro deles é a falta de um volante capaz de disputar posição com Pablo Maia. Newton, do Botafogo, não parece ser esse nome.
A segunda carência, e talvez a principal há muito tempo, é a ausência de um articulador. Um jogador com capacidade de organizar o time ofensivamente. Esse perfil é raro no mercado e, quando chega alguém para a função, normalmente não dá certo no São Paulo.
Por essa posição passaram James Rodríguez, que terminou no banco; Oscar, que chegou a ser improvisado como volante; Lucas, deslocado para a ponta e constantemente lesionado; além de Matheus Alves, Rodriguinho e Nestor. E tudo isso porque entra técnico, sai técnico, e a posição, embora não a função, continua sendo do Luciano.
Luciano joga na posição de meia, mas não exerce a função de meia. Ele faz gols e, por isso, parte da torcida tem a impressão de que o São Paulo possui um bom jogador na meia, mas não possui. Utilizá-lo ali faz o time perder um atacante sem ganhar um criador de jogadas.
Mas ele faz gols.
O clube não conquista títulos, não tem um sistema de jogo confiável, não se coloca entre os favoritos das competições, mas ele faz gols.
Por conta dessa realidade, o São Paulo se tornou, desde 2024, refém de um 4-2-4 ineficaz. Salvo alguns momentos em que Crespo utilizou uma linha de três zagueiros ou uma linha de três volantes, essa tem sido a forma de o time jogar.
O resultado nós já conhecemos: o São Paulo ganha um jogo aqui, outro ali; Luciano faz seus gols; Calleri passa fome no ataque; meias como Cauly, Nestor, Lucas e Oscar são deslocados para outras funções; e, no fim da temporada, a torcida comemora os números individuais de Luciano; que, aliás, poderiam ser ainda melhores jogando mais perto do gol; enquanto os adversários comemoram títulos.
Claro que os problemas do São Paulo vão muito além disso. Todo mundo sabe. Mas este texto é sobre elenco e formações táticas, fatores que também têm sido parte importante dos problemas do clube nos últimos anos.
No fim das contas, o São Paulo tem uma folha salarial de quem deveria disputar títulos, mas pratica um futebol de quem passa boa parte do tempo olhando para a zona de rebaixamento.
Fiquem bem,
Guine
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