Salve, nação tricolor.
Hoje quero falar sobre jogadores, sobre elenco, e já começo afirmando que, no meu entendimento, embora também faça parte do problema, o maior problema do São Paulo não está apenas na beira do campo. Não são só os técnicos. O problema também está lá dentro, em quem entra em campo.
Desde 2023, quando a diretoria passou a ignorar o teto salarial que existia na época de Rogério Ceni; com as contratações de James Rodríguez e Lucas Moura, além das valorizações salariais concedidas após o título da Copa do Brasil; o São Paulo passou a ter uma das maiores folhas salariais do país.
O Tricolor passou a ter uma folha de pagamento de G4, mas, desde a conquista da Copa do Brasil, invariavelmente apresenta um futebol de G12. A verdade é que hoje o torcedor se preocupa mais com o Z4 do que se empolga com o G4 do Brasileirão e ano após ano a esperança é de o time se dar bem em uma Copa.
Nem a diretoria, muito menos parte da torcida, admite, mas esse grupo precisa de uma reformulação profunda. E não estou falando apenas de Tapia, Cédric, Dória e outros reservas que talvez nem devessem ter vindo para o clube. Estou falando do time titular, de jogadores que parecem estar com o prazo de validade vencido há algum tempo.
Entra técnico, sai técnico, e o time segue com Rafael, Calleri, Luciano e Lucas como titulares absolutos. Até outro dia, Arboleda também fazia parte desse grupo. Todos com salários altos, enquanto o time fracassa ano após ano.
Passaram pelo clube Carpini, Zubeldía, Crespo, Roger Machado e agora Dorival Jr. Será que o problema é apenas o técnico? Será que não está na hora de enfrentar a verdadeira questão?
Sim, a diretoria continua sendo o grande problema. E, como eu disse quando parte da torcida comemorava a saída de Casares: “No São Paulo, a pior gestão é sempre a próxima.” Mas, no caso do futebol, ela também falha por não ter coragem de enfrentar os problemas no elenco, por gastar muito em um grupo fraco e que entrega pouco.
Até quando vamos nos contentar em comemorar estatísticas individuais do Luciano enquanto o time não ganha títulos? Em defender um centroavante que faz poucos gols porque “se entrega em campo”? Em aceitar um goleiro limitado apenas porque é o melhor desde a saída de Rogério Ceni? Em conviver com o “fantasma” de Lucas no elenco, afinal desde o segundo jogo contra o Corinthians na Copa do Brasil, entre lesões e atuações ruins, ele pouco mostrou do jogador que pode ser?
E até quando vamos continuar “batendo” apenas nos
reservas, que por definição já mostram seu nível de limitação justamente por
serem reservas de jogadores também limitados, enquanto fingimos que está tudo
bem?
Uma reformulação no elenco é necessária. Se o fato de o time não conquistar títulos não é suficiente como alerta, uma gestão minimamente planejada deveria ao menos olhar para a idade desses jogadores.
Lucas e Luciano têm 33 anos. Calleri também vai fazer 33.
Rafael já tem 36. São justamente posições importantes e que hoje não possuem
reservas à altura. E, enquanto esses jogadores permanecerem no clube como
titulares absolutos, dificilmente terão reservas à altura, porque se criou no
São Paulo, desde 2023, uma ideia de titularidade baseada em hierarquia.
Por esse motivo jogadores como Erick, Rodriguinho, William Gomes, e tantos outros; passam pelo São Paulo, não tem oportunidades reais, e acabam por se destacar em outros clubes.
A renovação precisa acontecer enquanto esses jogadores ainda estão no clube, mas com planejamento. Não é colocando 11 reservas em campo de uma vez. Crespo, em 2025 por necessidade e em 2026 para evitar novos problemas físicos, começou a rodar mais o elenco. E esse parece ser o caminho: usar a experiência desses jogadores enquanto, aos poucos, o clube promove uma reformulação.
O São Paulo já superou as saídas de Careca, Müller, Raí,
Zetti, Rogério Ceni e tantos outros ídolos. Também vai sobreviver quando esses
jogadores deixarem o clube. Mas chega uma hora em que o clube precisa
desapegar. Ciclos terminam. E muitos dos nomes citados, embora ainda tenham
números individuais razoáveis ou importância histórica recente, talvez já
tenham entregue tudo o que podiam.
Fiquem bem,
Guine.
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