Salve, nação tricolor.
Hoje quero falar sobre o desmanche que aconteceu no sistema defensivo do São Paulo neste primeiro semestre e que deixou o clube em uma situação delicada e perigosa para o restante da temporada.
O Tricolor começou o ano com tranquilidade no setor. O elenco contava com nomes suficientes para montar uma defesa segura, seja em linha de três ou de quatro: Arboleda, Alan Franco, Ferraresi, Sabino, Tolói e Dória, além dos garotos Isac e Osório. Hoje, porém, o cenário é completamente diferente após a “saída” de três zagueiros.
Ferraresi, que também pode atuar na lateral direita, foi emprestado ao Botafogo. Matheus Dória rescindiu com o clube após críticas da torcida por falhas nas duas últimas partidas, que resultaram em uma derrota e um empate, por pouco não foram duas derrotas. Houve relatos até de ameaças contra ele e sua família; se isso realmente aconteceu, ele está coberto de razão em deixar o clube.
Para piorar a situação, Arboleda foi afastado e não deve mais atuar pelo São Paulo. Segundo informações divulgadas, após uma discussão com Rui Costa, o zagueiro decidiu não jogar mais pelo clube. Viajou e ficou afastado do clube por quase 30 dias. Consta que Dorival Jr. queria tentar recuperá-lo, mas, segundo Rui Costa, ele não faz mais parte dos planos.
As mudanças de treinador promovidas por Rafinha e Rui Costa, com as demissões de Crespo em março e de Roger Machado agora em maio, também prejudicaram o processo de adaptação dos garotos Osório e Isac no profissional. Ambos tiveram poucas oportunidades.
Com Crespo, os jovens praticamente não tiveram espaço porque o argentino precisava montar um time competitivo em meio à disputa do Paulistão mais difícil dos últimos anos, tanto pelo formato quanto pelo calendário apertado, já que o Brasileirão começou ainda em janeiro.
Roger Machado, por sua vez, chegou ao clube praticamente “já demitido” por conta da lambança feita por Rafinha e Rui Costa na saída de Crespo. Não teve tempo sequer para trabalhar. Qualquer empate ou derrota aumentava a pressão, e o ambiente era pesado demais para testar jogadores da base.
Dorival Jr. chega agora em um momento complicado. Apesar da quarta colocação no Brasileirão, o time vem se distanciando dos líderes e vendo o pelotão de baixo se aproximar perigosamente. Fora da Copa do Brasil, a única chance de título passa a ser a Sul-Americana. E, embora a classificação na fase de grupos esteja próxima, no mata-mata a dificuldade tende a aumentar. Ou seja: não haverá tempo para experiências.
No início do texto eu disse que a situação é perigosa, e isso se explica por um motivo simples: haverá a parada para a Copa, tempo para Dorival treinar, reorganizar o time e tentar contratar reforços para a zaga.
Mas a pausa será para todos, não apenas para o São Paulo. Todos os clubes vão se reorganizar e buscar reforços, especialmente zagueiros. E aí aparece outro problema: muitos desses clubes têm ambiente mais estável e situação financeira melhor que a do São Paulo.
Em janeiro, o torcedor já esperava uma temporada difícil. As falas de Hernán Crespo e de Luciano mostravam que eles também tinham esse diagnóstico. O clube até conseguiu uma boa arrancada e somou pontos importantes no Brasileirão, mas então apareceu a dupla Rafinha e Rui Costa que, entre ações e omissões, enterrou a temporada de vez.
No Brasileirão, a luta por G5 já parece complicada. A realidade hoje é brigar no meio da tabela. Na Sul-Americana, se ainda existe alguma chance, por mais remota que seja, ela aparece justamente por se tratar de Copa, e torneios eliminatórios permitem surpresas.

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