Salve, nação tricolor.
Hoje é dia de falar sobre mais uma mudança no comando técnico do São Paulo. Após a mini pré-temporada e prestes a voltar ao Campeonato Brasileiro, a torcida tricolor foi surpreendida com a notícia da demissão de Hernán Crespo.
Motivos
Segundo matéria de Edu Afonso, na ESPN, a diretoria tricolor ficou bastante irritada com algumas decisões do treinador.
A principal delas teria sido a escalação do volante Luan como titular na semifinal do Campeonato Paulista, que terminou com a eliminação para o arquirrival Sociedade Esportiva Palmeiras.
Além disso, a entrada do centroavante André Silva no segundo tempo também não foi bem digerida pela alta cúpula do clube nem por alguns jogadores. Segundo a reportagem, os atacantes Ferreira e Tapia teriam ficado irritados no banco de reservas, já que participaram de toda a campanha no campeonato e, no momento decisivo, foram preteridos por um atleta que não atuava há oito meses.
Outro episódio que teria desagradado a diretoria ocorreu na saída da Arena Barueri. Enquanto jogadores e dirigentes lamentavam a eliminação, Crespo e membros de sua comissão técnica teriam sido ouvidos comentando a rodada do Campeonato Argentino.
Também causou incômodo o fato de o treinador ter concedido três dias e meio de folga ao elenco. Na noite do próprio domingo do Choque-Rei, Crespo viajou para a Argentina, o que gerou a impressão de que a passagem já estava comprada com antecedência, demonstrando pouca confiança em uma classificação contra o Palmeiras.
De acordo com a apuração, a diretoria são-paulina considerou “absurda” a folga concedida ao elenco.
Mais desculpas do que motivos
Sinceramente, vejo mais desculpas do que motivos.
Até a eliminação contra o Palmeiras, fora de casa, o São Paulo vinha de uma sequência de sete vitórias e um empate nos últimos oito jogos e dividia a liderança do Campeonato Brasileiro Série A justamente com o Palmeiras.
A demissão de Crespo, portanto, não faz muito sentido; ao menos considerando os “motivos” apresentados.
O que se ouve nos bastidores parece mais plausível: que alguns líderes do elenco e dirigentes estariam incomodados com declarações do treinador. Entre elas, comentários sobre gramado sintético, dizendo que é de uma geração que jogava até na neve, além de afirmações de que o São Paulo não seria favorito aos títulos e que sua prioridade era o Campeonato Brasileiro, e não as Copas, como desejava a diretoria.
Aí, sim, começa a fazer mais sentido.
Falta de transparência
Dizer que falta transparência à diretoria do São Paulo é chover no molhado.
Por isso, acredito que Crespo foi demitido por ter desagradado dirigentes com suas declarações e também jogadores e empresários com algumas escolhas.
E isso resulta em uma das maiores aberrações que já vi desde que acompanho o São Paulo: demitir um treinador com o time jogando bem, bem colocado no Campeonato Brasileiro e com boas perspectivas nas Copas.
Mas estamos falando do São Paulo. E, como eu sempre digo: ali, a pior administração é sempre a próxima.
Obrigado, Crespo
Na posição de torcedor, gostaria de pedir desculpas a Crespo e agradecer.
Obrigado pelo título de 2021, por salvar o time de um possível rebaixamento em 2025 e pelo planejamento da temporada de 2026, que levou o São Paulo à semifinal do Paulista e deixou o time na liderança do Brasileirão, ao lado do Palmeiras.
Valeu, Crespo.
Agora é Roger Machado
Poucas horas depois da demissão do argentino, a diretoria anunciou a contratação de Roger Machado.
Amigo de Rui Costa e de Rafinha, Roger tem seis títulos na carreira: cinco campeonatos estaduais e uma copa regional.
Na minha opinião, é um treinador inferior a Crespo, e não consigo imaginar que ele vá melhorar o São Paulo.
Mas Crespo agora é passado. A realidade do São Paulo é Roger Machado.
Mesmo sem acreditar que o time ficará melhor com ele, vou torcer para que fique. Eu torço pelo São Paulo, não por dirigente, técnico ou jogador.
Apoiar o time
Isso não é querer “lacrar”. Deixei claro que sou contra a demissão e que considero a decisão extremamente equivocada.
Crespo havia encontrado o time. O São Paulo vinha de oito jogos sem perder até a eliminação no Paulista. Sob seu comando, Marcos Antônio passou de reserva a um dos melhores jogadores da equipe.
Ou seja: o trabalho era bom.
Mas agora é Roger Machado. E vamos apoiar e torcer.
Já apoiamos e torcemos por treinadores como Fernando Diniz, Thiago Carpini, Luis Zubeldía e Ney Franco. E faremos isso novamente, porque torcemos pelo time; e o time precisa de nós.
Sem passar pano para dirigente incompetente, sem defender jogador que derruba técnico e sem proteger empresário que tenta empurrar seus jogadores no time titular mesmo em má fase.
Mas vamos apoiar o treinador. Roger agora é o comandante do São Paulo e terá nossa torcida.
Toda sorte do mundo ao novo técnico tricolor. O sucesso de Roger Machado será o sucesso do São Paulo.
E nós sabemos que, quando as coisas ficarem difíceis, ele provavelmente terá apenas o apoio da torcida. Porque o elenco que aprovou sua chegada e os dirigentes que o contrataram serão os primeiros a soltar sua mão.
Infelizmente, esse tem sido o método do São Paulo.
Fiquem bem,
Guine.
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