Salve, nação tricolor.
Hoje é dia de falar de elenco, de força para a temporada. E eu quero focar no trio, ou melhor, nos trios. Após um início de ano turbulento, Hernán Crespo encontrou o time ideal baseado em duas trincas: uma no meio-campo e outra no ataque.
O trio que sustenta o time
O trio formado por Danielzinho, Bobadilla e Marcos Antônio é algo que há muito tempo não se via no São Paulo. Os três se completam com qualidade, intensidade e objetividade. Marcam, criam e participam diretamente do jogo.
Entre gols, assistências e pré-assistências, os volantes já somam 15 participações em gols na temporada. Esse trio é, sem dúvida, o grande legado deixado por Crespo.
O trio que desequilibra: negativamente
Já o trio ofensivo, formado por Calleri, Lucas Moura e Luciano, não apresenta o mesmo desempenho coletivo, em especial Luciano e Lucas Moura.
Calleri é o grande destaque com muita entrega, raça e gols marcados. Luciano oscila demais e hoje também está devendo; já Lucas Moura, de quem se espera algo diferente, até aqui é a grande decepção; na temporada, soma três gols e uma assistência, números baixos para o protagonismo que carrega.
O problema tático
A grande questão desse sistema é simples: o trio de
meio-campo precisa jogar por cinco.
Além de criar, precisa compensar a falta de intensidade
defensiva de Lucas e Luciano. E, no caso de Lucas Moura, precisa também
assumir a criação, já que o meia não tem essa caracterírtica; os três volantes têm mais assistências do que o
“meia” tricolor na temporada.
Isso não se sustenta a longo prazo.
Expectativa x realidade
Lucas Moura é o maior salário do elenco. Naturalmente, é dele que se espera o melhor futebol do time. Mas o que temos visto é um jogador que não consegue criar, não é decisivo no ataque e, pelo status que possui, acaba sendo uma peça praticamente intocável.
A insistência nesse trio ofensivo pode custar caro.
Estamos em março e jogadores como Danielzinho já demonstram
desgaste no segundo tempo das partidas, algo natural; mas que se agrava quando precisam
compensar o trabalho que outros não fazem.
No futebol atual, ter um jogador que não ajuda na marcação já é um
problema. Dois, como são os casos de Lucas e Luciano, tornam o sistema extremamente vulnerável.
A conta vai chegar.
As soluções existem
As opções estão no elenco: Cauly é mais participativo que Lucas. Para a função de Luciano, há alternativas como Ferreirinha, André Silva e, em breve, Ryan Francisco.
O próprio Crespo tinha uma solução clara: o sistema com três
zagueiros. Uma opção que, ao que tudo indica, não está entre as preferidas de Roger
Machado.
O desafio de Roger
Roger Machado terá que encontrar soluções.
O sucesso desse time está no trio; mas não no trio mais
caro, e sim no trio que joga mais bola: o do meio-campo.
Rodar o elenco e trocar Danielzinho por Pablo Maia é mais fácil e pode ser um paliativo. Mas talvez a solução
passe por mexer na estrutura: desmontar o trio ofensivo e reorganizar o time ao
redor de Calleri, com apenas um entre Lucas ou Luciano, é dificil é verdade, mas é esse tipo de coragem que separa o treinador do entregador de coletes.
A outra possibilidade é fazer Lucas entregar o que se espera
de um meia moderno: criação e participação sem a bola...
E Lucas?
Muitos ainda esperam o Lucas decisivo da Copa do Brasil. Mas é preciso fazer a pergunta: isso ainda é possível?
Após as lesões e considerando a idade, a tendência é que
não. Lucas vai precisar se reinventar. A explosão e os arranques, principais
características da sua carreira, já não aparecem com a mesma frequência e, por óbvio, sem isso ela se torna um jogador comum.
O São Paulo conseguiu algo importante: saiu da briga pelos 45 pontos para começar a olhar para G4, e até sonhar com algo maior.
Mas o que hoje é otimismo pode rapidamente virar
preocupação.
E isso passa diretamente pelos trios: o de meio-campo sustenta o time e o de ataque, que hoje, limita. E a resposta para esse problema está nas mãos de Roger Machado.
Fiquem bem,
Guine.
Siga no X: Guine_SPFC

Postar um comentário