A festa da torcida atrapalhou o São Paulo?


 

Salve, nação tricolor.

Hoje é dia de falar sobre a eliminação do São Paulo na Copa Sul-Americana 2026, no último dia 15 de setembro, após empate no Morumbi pelo placar de 1x1. No jogo de ida, na Argentina, o Boca venceu o Tricolor por 1x0.

Ao clube que, sob o comando de Roger Machado, já tinha sido eliminado da Copa do Brasil em duas partidas contra o Juventude, uma vitória por 1x0 e uma derrota por 3x1; restou apenas o Brasileirão. E, no momento, a preocupação é mais em se distanciar do Z4 do que chegar ao G5 e conquistar uma vaga na Libertadores de 2027.

A Sul-Americana era o foco de Dorival Junior e da diretoria. Ganhar uma Copa era o grande trunfo de Massis e Rafinha para, assim como Casares e Belmonte, ter uma taça para chamar de sua e tentar transformar uma temporada ruim em boa.

Após a partida, o “decisivo” e “ídolo” Luciano desabafou e revelou que nunca recebeu seus salários em dia desde que chegou ao São Paulo, mas enfatizou seu amor pelo clube e o desejo de ajudar a equipe.

Eu entendi a fala de Luciano como mais uma prova de que salários atrasados não são problema para o elenco. Afinal ele afirma que nunca recebeu em dia, mas sempre que pode renova com o clube e sempre com contratos mais longos.

Rafinha, em duas oportunidades, já havia afirmado que isso não é um problema. E o silêncio da maioria dos jogadores, falo maioria porque quem se incomodou com isso, Alan Franco e Enzo Díaz, já deixou o clube, ou seja, mostra que quem cala consente.

A primeira ocasião foi em 27 de janeiro de 2026, em sua coletiva de apresentação como gerente esportivo do São Paulo. Ao ser questionado sobre as dívidas do clube com o elenco, foi enfático ao dizer que isso não justificava maus resultados:

“Todos os problemas não podem ser uma muleta para os jogadores. Não pode ser muleta para ninguém. Eu fui campeão com salário atrasado. Fomos campeões da Copa do Brasil com salários atrasados. Isso não é normal. Em nenhuma profissão isso é normal. Mas entendemos o momento. Respeitando todos, não podemos nos apoiar nisso.”

A segunda ocasião foi em 15 de setembro de 2026, após a eliminação do Tricolor para o Boca Juniors pela Copa Sul-Americana. Rafinha voltou a falar na zona mista, com repercussão na mídia no dia seguinte, 16/09. Dessa vez, ele ponderou que a situação atrapalha, mas negou que tenha sido o motivo da queda:

“Claro que o jogador quando entra em campo ele não lembra, não pensa em nada disso, né? [...] Mas claro que atrapalha, não posso ser hipócrita aqui falar que não atrapalha, atrapalha sim [...] mas hoje não é o motivo pra gente falar que o atraso de salário foi o principal fator pra nossa eliminação.”

Apesar de o dirigente, entre uma fala e outra, mudar seu entendimento, ele segue afirmando que isso não pode ser considerado o grande problema. Logo, fui atrás de outra explicação e talvez Dorival saiba o que aconteceu.

Quando questionado diretamente se o clima e a celebração da torcida antes do jogo haviam afetado negativamente o elenco, ele respondeu:

“Acabou acontecendo isso, não esperávamos isso. Na parada do primeiro tempo, tentei pontuar sobre isso, que tínhamos errado o que podíamos ter errado, que tínhamos que ter mais tranquilidade.”

Dorival acrescentou que houve um “nervosismo excessivo que comprometeu o rendimento” na etapa inicial da partida, classificando a atuação do primeiro tempo como “irreconhecível”.

Essa avaliação de nosso estrategista me pareceu interessante, afinal vejamos.

O São Paulo, com o grupo atual, com exceção à Copa do Brasil 2023, com Rato, Nestor, Rafinha e Caio Paulista na lateral, Beraldo na zaga e a chegada de Lucas, conseguiu quase como um milagre ganhar a Copa do Brasil no Morumbi.

Depois disso foram eliminações na Libertadores, Copa do Brasil, Sul-Americana etc.

Ou seja, as festas da torcida no Morumbi, que antes eram a fonte de inspiração do time, estariam atrapalhando nossos jogadores? Será que a solução é a torcida parar de ir ao estádio e, em caso de insistir, assistir aos jogos como se fossem partidas de tênis? Silenciosos para não atrapalhar?

Mais dois fatores parecem corroborar com a tese defendida e entendida por Dorival.

A primeira é o fato de a diretoria estar tirando os jogos do time do estádio do Morumbi, alugando o outrora chamado sacrossanto para shows e fazendo o time jogar em estádios menores. Seria para não ter muito barulho e não deixar os jogadores nervosos?

A segunda é o óbvio: o desempenho do time fora de casa, quando não temos controle sobre as torcidas adversárias. Será que as festas, gritarias e comemorações atrapalham os jogadores?

Voltando ao mundo real: Dorival ultrapassou o limite do bom senso, beira o ridículo corroborar com uma afirmação dessas.

A gente via os jogadores pedindo o apoio da torcida, jamais que um time abraçado com uma festa como a promovida por nossos torcedores sentiria “nervosismo excessivo” por conta da festa.

A desculpa é boa. Afinal, Dorival não precisa explicar que, apesar do sistema defensivo menos vulnerável, e não dá para dizer que é mais forte, como é inútil o trio de ataque e como o meio-campo tem um “buraco” no seu sistema de jogo. Ele adere aos três zagueiros, mas não abre mão do ponta e deixa o time sem marcação e sem criação no meio-campo.

O Boca passou pelo São Paulo sem muitas dificuldades e estamos falando de um time limitadíssimo.

Dorival era a grande aposta para limpar a burrada que os incapazes Rafinha, Rui Costa e Massis fizeram em nossa temporada. Afinal, Dorival é “bom nas Copas” e, se ele ganhasse uma Copa, o trio de incapazes estaria certo ao demitir Crespo por afirmar que, no contexto atual, a briga do São Paulo era para se manter na Série A.

Mas, com a eliminação e a queda de rendimento no Brasileirão após a chegada de Dorival, ficou mais claro ainda: a briga é sim contra a Série B, pelos 45 pontos. E, analisando o retrospecto de Dorival nos pontos corridos, não será fácil.

Fiquem bem,

Guine.

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