O sistema fará de tudo para se manter.


Salve, nação tricolor.

Hoje, 5 de novembro de 2026, após mais uma decepção do São Paulo no majestoso, vou deixar o jogo de lado e gostaria de falar sobre algo que não costumo abordar: a política do São Paulo. Afinal, eu não voto, não vivo a política do clube, não sou sócio e nem sócio-torcedor. Sou apenas torcedor.

Assim como falei em relação às eleições Brasil afora, no São Paulo não será diferente: o sistema vai fazer de tudo para se manter no comando do clube. A situação vai tentar conquistar os sócios que elegem o Conselho, muitos deles nem para o São Paulo torcem, e esse Conselho vai eleger o presidente.

O São Paulo é feito de amizades?

Vou reproduzir aqui uma fala de Themistocles Almeida, coordenador de um grupo da situação, divulgada no X do jornalista Gabriel Sá:


"O clube vive da amizade. É do nosso truco lá em cima, dominó, do futebol social, da academia, do beach tennis, do futebol feminino, ginástica... quem são as pessoas? Nossos amigos. Quem vai votar? Nossos amigos. O São Paulo é feito de amizades, se não tivesse amizade no São Paulo não existiria São Paulo, ponham isso na cabeça. Você votar no seu amigo é a coisa mais legal que tem, e você pode cobrá-lo. Eu sei que vocês tem amigos do outro lado e desse lado, mas se tiver que votar, vote em 11 daqui e 9 de lá (Oposição). Vote em 15 daqui e 5 de lá. Se vocês votarem em mais de lá e menos daqui, aí a coisa pode ficar ruim pra gente. Eu pergunto pro Vinicius hoje, quem tá acima da gente? Tem alguém que breca a gente hoje no São Paulo? Não! Porque nós somos os cabeças do São Paulo. depois de 24 anos de política, chegamos onde estamos. Começamos lá em cima no futebol, social, administrativo, hoje a gente conhece o São Paulo do jeito que tem que conhecer e sabe o que tem que ser feito".


A fala merece atenção. Não apenas pelo que diz, mas principalmente pelo que revela sobre a maneira como esse grupo enxerga o clube e sua estrutura de poder.

O futebol é apenas um detalhe?

E é isso que eles da situação pensam. Estão pouco se lixando para o futebol. Não existe um projeto para o futebol. A ideia é vencer e, se vencerem, terão o argumento de que o projeto escolhido foi o deles, ainda que ele não exista.

E esse "projeto" pode representar o fim do São Paulo Futebol Clube, afinal, seria a continuidade do que temos hoje: divida nas alturas, um time perdedor, caro, velho, formado por jogadores fracassados, sempre com salários atrasados e que não permite ao torcedor sonhar com nada além de se manter na Série A, na meta dos 45 pontos.

Enquanto o torcedor se preocupa com contratações, resultados, Cotia, dívidas e planejamento, parece que a preocupação de quem comanda o clube é outra: garantir que os amigos continuem ocupando os espaços de poder.

O sistema é foda. Ele não vai cair sem atirar, não vai falar o que pretende fazer. Afinal, a gente já sabe: vai conquistar os eleitores com o truco, com o dominó, com as amizades. Vai demonizar a oposição. Tudo aquilo que vimos acontecer nas eleições que acabaram agora em outubro.

O torcedor também precisa escolher um lado

O torcedor que não é eleitor tem que escolher um lado.

Eu sempre pensei da seguinte forma: se a situação não está funcionando, o único caminho é a oposição.

Não existe deixar como está se não está funcionando. Não adianta ter medo de mudar, de experimentar outro caminho ou de dar uma oportunidade para quem ainda não teve a chance de comandar o clube.

Afinal, se quem está no poder há tantos anos não conseguiu entregar um São Paulo à altura de sua história, por que deveríamos acreditar que mais do mesmo vai resolver?

O medo de mudar tira a vontade de melhorar.

Fiquem bem,

Guine.

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